2 de mai de 2011

Ouvir e fazer direito

Do Diário Catarinense por Karine Pansa*

É prudente o tom que o novo governo tem empregado na administração. Agradável surpresa num Brasil onde é corriqueiro o proselitismo político antes mesmo de se realizar algo concreto. Tal atitude é muito oportuna neste momento em que se exigem cuidado para gerir uma economia com risco de inflação e consumo desenfreado e ousadia para se aperfeiçoar estruturas e culturas obsoletas. O ato de dialogar com as organizações e diferentes grupos da sociedade civil pode ser um dos caminhos mais férteis na busca de soluções. Neste aspecto, deve-se enfatizar a atitude do Ministério da Cultura e de instituições a ele vinculadas, que atuam no âmbito do livro, um dos seus principais objetos de ação política, pela sua óbvia e inquestionável importância para a sociedade e o interesse nacional.

A recíproca tem sido verdadeira, pois o mercado editorial também vê o momento como oportuno ao debate com os órgãos competentes. Há questões prementes face ao novo cenário. Há certas assimetrias entre a pujança do nível de atividade e o anacronismo de leis e normas, resultante de algumas décadas de descaso. É preciso estabelecer um equilíbrio do marco legal em relação à nova realidade do Brasil e do mundo. Outro exemplo refere-se ao estímulo a programas e políticas de fomento de acesso ao livro e à leitura, por meio da modernização de bibliotecas, e incentivo à criação e produção literária.


Acrescenta-se a esses itens a necessidade de desenvolvimento de práticas de comercialização e distribuição do livro, de maneira mais equânime e facilitada.

São temas pertinentes, que têm recebido a devida atenção do governo e suscitado produtivo entendimento e diálogo com o setor privado. Assim, cultiva-se no setor público o bom hábito de falar pouco e ouvir muito. Trata-se do caminho mais rápido para se fazer direito.


*PRESIDENTE DA CÂMARA BRASILEIRA DO LIVRO (CBL)

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