7 de mai de 2011

BOMBA-RELÓGIO NA SEGURANÇA PÚBLICA DE SANTA CATARINA II

Do diário Catarinense

Horas extras são o grande motivo

Para complementar os salários, profissionais da Segurança Pública de Santa Catarina contam com a possibilidade de horas extras. Por causa dessa dependência, muitos profissionais se submetem a extensas jornadas de trabalho, recusam as férias e passam longe da licença premium, que a cada cinco anos dá direito aos servidores de ter três meses de licença. Ou seja, esses trabalhadores abrem mão justamente daquilo que foi criado para descarregar o estresse.

– Como o salário é baixo, não dá para ficar sem esse dinheiro. Todos contam com essa quantia. Sem as horas extras, tenho um corte de R$ 1,1 mil no fim do mês – criticou uma escrivã, que preferiu não se identificar.

Segundo o psicólogo Roberto Moraes Cruz, o estresse é a porta para o desenvolvimento de doenças mentais e fisiológicas, principalmente a depressão. A Polícia Civil registrou os piores índices (veja box).

A agente policial Patrícia de Fernandes Pereira sofreu de depressão e atualmente está refém das horas extras em busca de um rendimento a mais no salário.

– Já poderia ter me aposentado em agosto do ano passado, mas não tem como viver só com aposentadoria. Preciso das horas extras – lamentou Patrícia.

O delegado-geral da Polícia Civil, Aldo Pinheiro D’Ávila, disse que a partir da próxima semana, a corporação deve trabalhar com novas escalas para aliviar o estresse. Será adotado o sistema 12 horas de trabalho e 24 horas de folga. Atualmente, trabalha-se 24 e folga-se 48 horas.


– Vamos, primeiramente, implantar nos locais onde é possível fazer isso. Ainda há pouco efetivo, que é uma das causas desse problema, e não será possível por enquanto.

Sobre a incorporação da hora extra no salário, o diretor-geral reconheceu que ainda não há um trabalho para resolver essa questão.

Em Florianópolis, funciona o Serviço de Apoio Psicológico para atender policiais civis de todo o Estado. Lilian Manara, psicóloga-policial, alerta para casos de agentes que trabalham até doentes para não sair das ruas.

– Muitos resistem para aceitar que estão com algum tipo de transtorno mental. Sabem que se forem transferidos para um trabalho administrativo, não conseguem fazer hora extra.

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