6 de mai de 2011

Spams pró-ruralistas espalham boatos sobre Código Florestal


Reprodução
Spams pró-ruralistas caricaturizam ideias de ambientalistas em defesa de mudanças no Código Florestal
Spams pró-ruralistas caricaturizam ideias de ambientalistas em defesa de mudanças no Código Florestal
Claudio Leal no Terra Magazine
A votação do novo Código Florestal, no Congresso, motiva um bombardeio de spams pró-ruralistas na web, manipulando até mesmo o surrado boato da "internacionalização da Amazônia". Entre as ameaças, a crise de abastecimento. "Congresso tem difícil decisão que impactará na mesa do brasileiro", sugere um dos e-mails, recheado com o texto do blog "InNews".
"Os ambientalistas, motivados por ONG's que recebem financiamento de outros países, querem emperrar a pauta e adiar a votação para pressionar o congresso a não aprovar o novo código. A principal defesa é que já temos área suficiente e que a Amazônia seria prejudicada, colocando em risco o planeta", diz o spam.
Mais adiante, uma visão amena sobre os grandes proprietários: "Os ruralistas estão preocupados com os efeitos que essa situação poderá causar, como desabastecimento do mercado interno, o aumento dos preços dos alimentos e a demissão de milhares de trabalhadores rurais, pois teriam que replantar cerca de 30% das áreas de cultivo, reduzindo a produção".

O relatório do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB) é criticado por ambientalistas, sob a acusação de favorecer os grandes produtores rurais. Na terça-feira, 3, a Câmara aprovou a urgência constitucional para votação do projeto do novo código. Um dos pontos polêmicos é a possibilidade de os proprietários de áreas de 20 a 400 hectares e os agricultores familiares manterem o percentual de vegetação nativa que possuíam até 2008. As negociações entre ministros e líderes da base governista, na noite desta quarta-feira, não resolveram parte dos conflitos. A votação está prevista para a próxima semana.
"Coisa velha"
A campanha virtual associa a votação do Código Florestal à internacionalização da Amazônia. Uma mensagem, assinada por "Ana Maria Figueiredo", assume o tom de desabafo e espalha um folclórico boletim ambientalista, "Orgulho Verde", que também ganhou uma página na web: "Eu dei uma olhada no site e tem coisa até pior publicada, tipo defender internacionalizar a nossa Amazônia dando tudo de graça para os gringos! Dar Amazônia? Fala sério! (...) Esses imbecis não tem noção do que vai acontecer com o pequenos produtores se o código florestal não for aprovado", afirma a remetente.
Na guerrilha favorável a desmatadores, vídeos são postados no YouTube: "Em defesa da produção de alimentos", "Brasil: um planeta faminto e a Agricultura Brasileira", etc. "O que fazer por um planeta faminto? Quem vai alimentá-lo?"
O panfleto chama a presidente da República de "Dilmão". "O Brasil vive levantando bandeiras em defesa da preservação da Amazônia, mas na hora de botar pra quebrar, quanta incompetência! São acordos e leis ambientais que não funcionam e gente desmatando a floresta na cara dura. E daí a gente se pergunta: se ninguém, nem mesmo Dilmão, dá jeito nisso, por que não optar pela internacionalização?".
E prossegue a caricatura: "Se internacionalizássemos toda a região e criássemos uma espécie de Conselho Internacional composto por instituições ambientais mundiais e presidido por ONGs como a WWF e o Greenpeace, que são referência em preservação ambiental e têm competência o bastante para cuidar disso, certamente reverteríamos este quadro."
- É meio coisa velha, ridícula. O Greenpeace é contrário à internacionalização. Nós pedimos o aumento da governança na região, estamos brigando para que o Código Florestal seja aplicado, por mais leis, mais governo, mais Brasil - rebate Márcio Astrini, do Greenpeace.
O ativista afirma que a ONG defende que "os problemas têm que ser resolvidos pelos países onde a Amazônia está". Astrini ironiza o vídeo em que são expostos pequenos agricultores aos prantos.
- Quem está patrocinando as mudanças do Código Florestal são os grandes latifundiários, através do deputado Aldo Rebelo. Eesses agricultores que estão chorando não precisam de anistia, precisam de políticas públicas - argumenta.

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