7 de jul de 2011

Simon: Dilma tem que fazer a triagem, pois os partidos não fazem


Claudio Leal no Terra Magazine
"O PR vai se reunir de novo e indicar um cidadão como esse que tá aí?", especula o senador Pedro Simon (PMDB). A queda do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR), após denúncias de corrupção, demonstra que a presidente precisa fiscalizar as indicações partidárias, avalia o peemedebista.
"Foi absolutamente esperado. O absurdo foi ele não ter entendido que a presidente, ao demitir todo o alto escalão nomeado por ele, deu a entender que ele deveria ter se demitido. A decisão de Dilma foi mais do que correta e é a demonstração de que, pela segunda vez, ela fez o que nos governos anteriores não foi um gesto normal", diz Simon a Terra Magazine.
"A presidente tem que entender, pois é fundamental: o partido pode fazer a indicação política, mas ela tem que fazer a triagem, tem que saber qual é a ficha do cidadão, porque se é um vigarista, ela aceita ou não aceita. Na hora de fazer a indicação, já que os partidos infelizmente não fazem, ela tem a obrigação de fazer a fiscalização", defende.
Nascimento deixou o ministério depois de casos de corrupção revelados pela revista Veja. Segundo a reportagem, havia um esquema de cobrança de propina a empreiteiras e a empresas de consultoria responsáveis por projetos de obras em rodovias e ferrovias. O secretário-executivo, Paulo Sérgio Passos, assumiu interinamente o cargo.

Por determinação da presidente Dilma, foram demitidos o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, o presidente da Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. (Valec), José Francisco das Neves, o chefe de gabinete do Ministério, Mauro Barbosa Silva, e o assessor Luís Tito Bonvini.
Apesar da queda de seus principais assessores, Nascimento resistiu no cargo até esta quarta-feira, 6, quando o jornal O Globo revelou o crescimento milionário da empresa do seu filho, da ordem de 86.500% do patrimônio. Em 2005 a empresa tinha capital de R$ 60 mil e hoje de R$ 52 milhões.
"Pessoas de ficha ruim são indicados por vários partidos. Ela tem a obrigação de fazer a limpeza. Esse ministério foi uma montagem ao estilo Lula. Ele indicou dois terços do ministério, e nunca foi de dar bola pra saber quem ele indicou", critica Pedro Simon.

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