28 de mar de 2011

Uma voz inteligente

Por Paulo Moreira Leite na Época

Nossos ambientalistas superficiais me desculpem mas eu acho impossível deixar de aplaudir um artigo publicado hoje na Folha.
“Fukushima fez de mim um partidário das usinas nucleares”, escreve o ecologista George Monbiot, num texto publicado originalmente pelo inglês Guardian.
O argumento é simples: a tragédia japonesa já passou dos 9 400 mortos e pode chegar a perto de 30 000. Até agora nem uma única vida humana foi perdida em função do uso de energia nuclear.  Ocorreram vazamentos, o nível de radiação subiu a patamares indesejáveis emvários locais mas não é a usina de Fukushima que está no origem do desastre.
Para o articulista, o saldo final é uma demonstração de que a energia nuclear é muito mais segura do que se supunha antes do tsunami. Submetida a uma prova tão violenta, foi capaz de assustar e preocupar — mas não provocou mortos nem feridos, ao menos até aqui.
Acho bom ler o artigo na integra: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2303201115.htm
Mas não resisto a resumir algumas frases importantes:
“Como resultado do desastre em Fukushima, abandonei a neutralidade quanto à energia nuclear, e agora apoio seu uso,” diz George Monbiot. Ele acrescenta: “Uma usina velha e dotada de recursos de segurança insuficientes foi atingida por um monstruoso terremoto. As redes de energia falharam, derrubando o sistema de refrigeração. Os reatores começaram a explodir.O desastre expôs um legado conhecido, de projetos deficientes e o uso de gambiarras para reduzir custos. Mas, pelo menos até onde sabemos, ninguém recebeu uma dose letal de radiação.
Não estou propondo que sejamos complacentes. Mas é preciso perspectiva.
Como a maioria dos ecologistas, defendo uma grande expansão no uso de fontes de energia renováveis. Também simpatizo com as queixas dos oponentes disso. Não são apenas as instalações de energia eólica próximas à costa que incomodam, mas as novas conexões de rede elétrica (fios, postes).
Os impactos e custos das fontes renováveis crescem em proporção ao volume de energia que elas fornecem. ”
Outro argumento: “Quanto mais esperarmos das fontes renováveis de energia, mais difícil será a tarefa de persuadir o público quanto ao seu uso.
Mas a fonte de energia a que a maioria das economias recorreriam caso fechassem suas usinas nucleares não é madeira, água, vento ou luz solar, e sim o combustível fóssil. O carvão é 100 vezes pior que a energia nuclear.
Sim, continuo a desprezar os mentirosos que comandam a indústria da energia nuclear. Sim, eu preferiria que o setor fosse fechado, caso existissem alternativas.
Mas não há solução ideal. Toda tecnologia de energia tem seu custo, e a ausência dessas tecnologias também teria. A energia nuclear foi submetida a um dos mais severos testes possíveis, e o impacto sobre o planeta foi pequeno. A crise em Fukushima fez de mim um defensor da energia nuclear.”




Nenhum comentário:

Postar um comentário