29 de mar de 2011

Como você faz um museu como o Louvre

Por Paulo Nogueira no Diário do Centro do Mundo
Com muitas coisas, incluídas aí pilhagens.
Napoleão, por exemplo, gostava de mostrar pessoalmente as obras de arte que trazia a Paris depois de conquistar países.
Parte da riqueza do Louvre está conectada às pilhagens culturais napoleônicas. Tantos trabalhos foram roubados que com Napoleão acabou nascendo uma nova disciplina, primeiro na França e depois no mundo: a história da arte. Especialistas tentaram decifrar e dar lógica ao acervo do Louvre, em crescimento explosivo com as conquistas napoleônicas.
Quando Napoleão foi enfim derrotado, parte das obras foi devolvida. Mas não toda. O Egito não recuperou nada, por exemplo. A restituição foi conseguida basicamente pelos países influentes na queda de Napoleão. Mesmo eles não conseguiram reaver tudo. Os franceses, espertamente, dissimulavam a origem de peças “transferidas” para Paris, para que os donos tivessem dificuldades enormes em reivindicá-las.
Napoleão levou a modernização ao mundo. Mas trouxe a Paris um tesouro incalculável em arte. Tão logo suas tropas tomaram Berlim, por exemplo, o monumento mais caro aos alemães foi levado para a França – a Quadrinha que domina o Portão de Brandemburgo. (Os alemães a tomaram de volta tão logo puderam, e de quebra humilharam os franceses com a coroação de um rei seu em plena França. Isso aconteceu depois de uma guerra em que os alemães impuseram uma categórica e rápida derrota à França, em 1870.)
Quando você for ao Louvre, e tirar uma foto clássica perto da Mona Lisa em meio ao alarido de turistas que zanzam horas pelo museu sem fazer idéia do que estão vendo, bem, quando você for ao Louvre, lembre-se de que sem Napoleão as galerias não seriam tão belas assim.

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