3 de mar de 2011

Barbas de Molho

Comentário: artigo de Eliane Cantanhêde na Folha de São Paulo, que gerou a crítica no post anterior.

Enquanto ditadores árabes caem do camelo, um a um, e Muammar Gaddafi, Muamar Khadafi, Muammmar al-Gathafi, Momar Kadaffi ou o que você quiser já até ensaia o papel de "mártir", a rede Telesur relata que há um clima de "festa" e de "normalidade" em Trípoli, capital da Líbia, como nos contou Flávia Marreiro, correspondente da Folha em Caracas.

É de matar de rir, ou de chorar. A Telesur é uma invenção de Hugo Chávez com Cuba, Bolívia, Equador e Argentina (o que fazem os argentinos aí?!) e deve estar treinando para quando a onda de revoltas populares se descolar do Oriente Médio para as Américas.

Jornalistas de verdade estão impedidos de entrar na Líbia, mas os da Telesur entram, acham bacana ficar cinco horas detidos e dizem que tudo está na santa paz, enquanto organizações independentes relatam mais de 600 mortos e 30 mil pessoas de todas as nacionalidades pulando fora como dá.
Mal comparando, a Telesur lembra o PCdoB nos anos 1990. Esgotado o estoque de países a apoiar após o colapso do comunismo, o partido agarrava-se à Albânia, descrito como um paraíso na terra... até a diáspora de albaneses esquálidos, cheios de piolho e sarna, fugindo desesperados para a Itália.

A diferença é que, naquela época, os albaneses não tinham internet, como têm agora os cidadãos de Tunísia, Egito, Líbia, Bahrein, Marrocos e Arábia Saudita -onde o rei Abdullah tenta se antecipar ao desastre anunciando um saco de bondades para a população.

Fidel e Chávez, como Gaddafi (ou Kadaffi, al-Gathafi...), também chegaram ao poder cheios de boas intenções e destronando regimes podres e injustos, mas sucumbiram ao mesmo mal: a sensação de que são donos da verdade e dos destinos de seus povos, endeusando-se e eternizando-se em tronos.

Em vez de mandarem a Telesur reinventar a realidade na Líbia, deviam é botar as barbas de molho.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

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