7 de out de 2010

A busca incessante pela "bala de prata"

Do observatório da imprensa
À caça de antigos documentos
Por Celso Lungaretti em 7/10/2010

Um pedido de vista interrompeu na terça-feira (5/10) o julgamento do mandado de segurança com que a Folha de S.Paulo tenta obter acesso ao antigo processo de Dilma Rousseff na Justiça Militar. O placar estava empatado em 2 x 2, com nove ministros ainda por votarem. Quem acompanha a atuação do jornal da "ditabranda", está careca de saber que seu único objetivo é desencavar alguma informação bombástica que possa ser usada pela campanha de José Serra.
O recurso foi protocolado pela Folha no Superior Tribunal Militar depois de a revistaÉpoca ter informado que o processo relativo a Dilma, dos idos da ditadura militar, estava indisponível para a imprensa durante o período eleitoral. A advogada da Folhadeixou claro o objetivo da querela jurídica, primeiramente no recurso, ao alegar que os leitores precisavam ter conhecimento do passado de Dilma.
Interrompido o julgamento, ela "entregou o ouro" de vez: "Tenho a confiança que o tribunal irá proferir a decisão em tempo hábil de informar o cidadão, ou seja, antes do segundo turno das eleições."
O relator Marcos Martins Torres, que não é bobo nem nada, questionou as intenções da Folha: "Talvez [o objetivo] não seja propriamente o de informar, mas possivelmente o de criar um fato político às vésperas das eleições."


Vale destacar, entretanto, que nada disto estaria acontecendo se os petistas situados nos altos escalões governamentais não tivessem ignorado olimpicamente as advertências que fiz em março de 2008, quando desmontei denúncias de Elio Gaspari contra antigos resistentes, lastreadas nas informações absolutamente inconfiáveis dos processos da ditadura. Afirmei que esse entulho autoritário estava merecidamente jogado na lata de lixo da História, não servindo para respaldar acusação alguma contra ninguém que combateu o arbítrio instaurado em 1964.
Como a extrema-direita utiliza incessantemente esse lixo ensanguentado para disparar as acusações mais falaciosas contra grandes brasileiros, conclamei as autoridades a estabelecerem, de uma vez por todas, que tais processos foram condenados pela História e não podem ser citados como fonte para denegrir os mortos e os sobreviventes daquelas carnificinas.

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