31 de out de 2010

Alternância de que?

Por 
PAULO MOREIRA LEITE
  na Época

O professor Helio Bicudo, advogado com uma biografia corajosa na área de Direitos Humanos, entrou no segundo turno com o argumento de que o eleitor deveria aproveitar seu voto para promover uma alternância de poder no país. Ex-petista, eleitor de Plínio de Arruda Sampaio no primeiro turno, mais tarde Bicudo fez campanha contra Dilma e a favor de José Serra. Nos últimos dias, o argumento foi assumido por vários tucanos. Faz sentido?
Claro que o eleitor escolhe o candidato pelo critério que julgar melhor. Tem gente que usa as pesquisas para votar no vencedor, não é mesmo? Sei de eleitoras que não resistem a um candidato bonito e foi assim que Fernando Collor tomou votos petistas em 1989. Também tem eleitores que votam num concorrente esculhambado só para dizer que as eleições estão esculhambadas demais.
Eu acho que alternância de poder é uma falsa questão. Como observou Janio de Freitas, você pode promover a alternância e trocar o bom pelo ruim, o ruim pelo pior e assim por diante. Também pode, é claro, trocar o bom pelo ótimo ou o péssimo pelo mais ou menos.
O que define o valor de sua escolha é a comparação entre candidatos e seus projetos, sua visão de mundo, seus aliados, sua competência e preparo  — não a mudança em si.

Não custa lembrar que nenhum partido, quando ocupa o poder, gosta de falar que alternância é um valor positivo. O PSDB ocupa o governo de São Paulo há 16 anos sem qualquer constrangimento nem vontade de abrir a vaga para o adversário. Tem razão. Seu governo se baseia no voto.
Se levasse o critério a sério, o PSDB não teria lançado candidato a presidente em 2002, depois que Fernando Henrique Cardoso completou 8 anos no Planalto, concorda?

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