7 de out de 2010

Nobel de Literatura

Do globo.com

Prêmio Nobel de literatura de 2010 vai para Mario Vargas Llosa

Academia Sueca destacou caráter político da obra do escritor peruano.
Autor de 'Pantaleão e as visitadoras' venceu o Prêmio Cervantes em 1994.

O prêmio Nobel de Literatura de 2010, divulgado nesta quinta-feira (7) às 8h (horário de Brasília), foi para o escritor peruano Mario Vargas Llosa, de 74 anos.

De acordo com a Academia Sueca, a escolha seu deu por conta da "cartografia das estruturas do poder e as afiadas imagens da resistência, rebelião e derrota do indivíduo" que aparecem na obra de Llosa.

Peter Englund, presidente do júri de literatura do Nobel, afirmou que Vargas Llosa se disse "muito comovido e entusiasmado" ao saber do prêmio. O escritor, que está em Nova York, onde leciona na Universidade de Princeton, contou a Englund que "tinha levantado às cinco da manhã para dar uma aula" e que quando recebeu a notícia já "trabalhava intensamente".

Llosa receberá um prêmio no valor de 10 milhões de coroas suecas (1,5 milhão de dólares). A cerimônia de premiação está marcada para o dia 10 de dezembro.

Autor de obras como "A cidade e os cachorros", "Pantaleão e as visitadoras", "A festa do bode" e "Travessuras da menina má", Llosa já havia vencido, entre outros, o Prêmio Cervantes, o mais importante da literatura em língua espanhola, em 1994.

Em declaração à rádio colombiana RCN nesta quinta, o escritor peruano afirmou que o prêmio é um reconhecimento à literatura latino-americana e em língua espanhola.

Em mais de um século de existência do prêmio, Llosa é apenas o quinto escritor latino-americano a receber um Nobel. Antes dele, foram premiados a escritora chilena Gabriela Mistral (1945), o guatemalteco Miguel Ángel Asturias (1967), o também chileno Pablo Neruda (1971) e o colombiano Gabriel García Márquez (1982).
Candidato à presidência em 1990
Nascido em Arequipa, em 28 de março de 1936, Jorge Mario Pedro Vargas Llosa se formou em Letras e Direito pela Universidade Nacional Maior de São Marcos, em Lima. Antes de se tornar escritor, trabalhou como redator de notícias na extinta Rádio Central, funcionário de biblioteca e até revisor de nomes de túmulos de cemitério, segundo sua biografia em seu site oficial.
Em 1959, ganha uma bolsa de estudos e parte para uma temporada na Europa - incluindo Espanha e Paris - onde publica seu primeiro livro, a coletânea de contos "Os chefes" (1959), e uma peça de teatro chamada "La huída del Inca".
Regressa em 1964 ao Peru e daí em diante passa a passar temporadas em diversos países, incluindo Cuba, Grécia, França, Londres e Espanha - de onde recebe oficialmente a cidadania em 1993.
Hoje conhecido por suas posições políticas consideradas de direita, Llosa se engajou no Movimento Liberdade peruano em 1987, que se opunha ao programa de estatização do então presidente Alan García Pérez. Em 1990, lançou-se candidato à presidência do Peru pelo partido Frente Democrática-Fredemo, mas foi derrotado. Sua experiência na campanha foi relatada no livro de memórias "Peixe na água", lançado em 1993.
O autor estará no Brasil na próxima quinta-feira (14), participando do evento Fronteiras do Pensamento, realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.
Outros premiados
No ano passado, a escritora romena radicada na Alemanha Herta Müller, 56, foi a vencedora do Prêmio. Em 2008, foi a vez do francês Jean-Marie Gustave Le Clézio e em 2007, Doris Lessing, nascida na Pérsia, mas que escreve em inglês. 
Alfred Nobel, que fez fortuna ao inventar a dinamite, criou os prêmios para a paz, a literatura e várias ciências em seu testamento, em 1895. Os prêmios foram entregues pela primeira vez em 1901 e um prêmio adicional, para a economia, foi estabelecido em memória de Nobel, em 1968.O prêmio é escolhido pelos membros da academia sueca e dá um prêmio de 10 milhões de coroas suecas, algo como R$ 3 milhões, entregue em dezembro. Durante o processo, os membros da academia enviam convites para centenas pessoas ligadas a literatura, como professores e escritores do mundo, para chegar aos candidatos. De uma lista inicial de 250 nomes, em cortes sucessivos, se chega a um segundo grupo, com 15 a 20 e, num terceiro, a cinco nomes. Os membros da academia leem as obras dos candidatos e discutem sobre quem deve ser o vencedor. Um pouco antes do anúncio, os membros da academia ligam para o vencedor.

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