3 de nov de 2010

Por Lula: O governo terá a "cara" de Dilma

Do G1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta (3) que não pediu para que nomes de seu ministério fossem mantidos no próximo governo, da presidente eleita Dilma Rousseff. Segundo ele, "a continuidade é na política e não nas pessoas".
Dilma esteve pela manhã no Palácio do Planalto e desceu junto com o presidente para conceder uma entrevista coletiva. Foi a primeira vez que Lula se manifestou após a vitória de Dilma no segundo turno da eleição, no último domingo.
"O governo da Dilma tem que ser a cara e a semelhança da Dilma. É ela e somente ela que pode dizer quem ela quer e quem ela não quer. Somente ela é quem pode dizer aos partidos aliados se concorda ou não com as pessoas. E somente ela e os partidos aliados é que irão construir a coalizão", afirmou.
Lula afirmou que dará exemplo de como deve se comportar um ex-presidente. "Na minha cabeça funciona a seguinte tese: rei morto, rei posto", declarou. Ele disse que somente dará conselhos se isso for solicitado. De acordo com o presidente, Dilma vai "montar o time" e ele vai "ficar na arquibancada, de camisa uniformizada, sem corneta, batendo palma e nunca vaiando".

O presidente afirmou que, durante a montagem do ministério, as especulações são frequentes e nem sempre os nomes aventados na mídia se confirmam.
Economia
"Eu tenho a exata sensação da montagem de um governo. Você levanta pela manhã, você vê um jornal e tá lá a foto de uma pessoa que você nunca pensou em colocar no governo. É um samba maluco, alucinante de informações. Possivelmente, alguém passa para vocês [imprensa], alguém vaza ou alguém tem interesse que alguém não seja e já começa a queimar", declarou.
O presidente afirmou que a sucessora terá condições de "pisar um pouquinho mais no acelerador" devido à situação de estabildade do país e também porque Dilma, segundo ele, sabe o que fazer.
"Ela ajudou a colocar esse carro em marcha, ele não está na garagem. Os pneus estão calibrados, o motor está regulado, o carro está andando a 120 km por hora. Ela, se quiser, pode pisar um pouquinho mais no acelerador e chegar a 140 km, 150 km por hora. Ela não tem por que brecar esse carro. Só tem que dirigir com muita responsabilidade e olhar bem as curvas. Não passar quando tiver duas faixas ali, amarelas, sabe que não pode passar", declarou.
Segundo o presidente, Dilma "aprendeu na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e no governo em que ela foi chefe da Casa Civil que em economia não existe mágica. Não existe ninguém capaz de tirar da cartola um coelhinho que vai fazer as coisas acontecerem como se fosse um milagre. É seriedade. E isso ela tem de sobra".
Lula afirmou que já está elaborado o planejamento na área de infraestrutura, do qual a própria Dilma foi coordenadora. "Ela agora tem que pensar em outras coisas, no que ela vai ter que fazer acontecer a mais neste país, para que a gente não perca este momento mágico que vive este Brasil, para que a gente não perca este momento excepcional que vive a economia".
Ele disse ainda.que embarca na semana que vem para a reunião do G-20 em Seul, acompanjado de Dilma Rousseff, para lutar pelo equilíbrio cambial. "O que achamos é que os Estados Unidos e a China estão fazendo uma guerra cambial. Vou para o G-20 para brigar. Vamos tomar todas as medidas necessárias para conter a desvalorização do dólar", disse.
2014
Para o presidente, é "temerário" considerar a hipótese de voltar a se candidatar em 2014 porque ele está terminando o mandato com um elevado índice de aprovação e isso iria gerar uma expectativa "muito grande".
"Chegar ao final do mandato com a aprovação que tem o governo seria uma temeridade tentar voltar, porque a expectativa é infinitamente maior. Se a Dilma fizer tudo o que ela tem que fazer, ela tem todo o direito de concorrer em 2014", afirmou.
Ele negou que vá adotar medidas impopulares para facilitar o trabalho de Dilma no início do mandato. Segundo Lula, o atual governo vai "fazer o que tem de fazer" para entregar a administração à presidente eleita de forma que ela tenha "tranquilidade" para governar.
Apelo à oposição
Lula afirmou que a presidente eleita terá de conversar com representantes de todos os partidos, sem distinção. Segundo ele, o Congresso "é a cara" da sociedade brasileira. Lula também fez um apelo à oposição para que "olhe para o Brasil" e não impeça a aprovação de projetos de interesse da nação.
"Eu queria apenas pedir a compreensão é que dentro do Congresso Nacional, a nossa oposição não faça contra a Dilma a política que fez comigo, a política do estômago, a política da vingança, a política do trabalhar para não dar certo. Eu acho que a oposição tem um outro papel. E ela pode fazer isso porque governa estados importantes da federação e sabe que a relação institucional entre estados e o governo federal tem que ser a mais harmoniosa possível, porque senão todos perdem." 
O presidente lembrou a derrubada da CPMF no Congresso Nacional, imposto destinado a arrecadar verba para a saúde. "Tem que saber diferenciar o que é o interesse nacional, que envolve o povo brasileiro, e o que é a briga política-partidária. Eu não esqueço nunca que por conta disso essas pessoas tiraram R$ 40 bilhões anuais da saúde, que, se for levar o mandato inteiro, dá mais de R$ 160 bilhões da saúde", disse.
Dilma afirmou que o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), telefonou a ela e se mostrou disposto a dialogar para uma parceria construtuiva entre o estado e o governo federal. "Recebi uma ligação republicana do governador Alckmin. Pretende empreender uma negociação de alto nível com os governadores eleitos", disse.
Battisti
O presidente afirmou ainda que aguarda o parecer do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para decidir se extradita ou se mantém no Brasil o ex-ativista italiano Cesare Battisti. Ele disse que vai acatar o parecer, seja qual for a posição de Gurgel a respeito do futuro do italiano. "Estou dependendo do parecer do procurador-geral da República. Se ele me der um parecer, eu vou acatar", disse.
Sobre a escolha do ministro do Supremo Trobunal Federal que irá ocupar a vaga deixada por Eros Graus, que se aposentou, Lula disse que vai discutir o assunto com Dilma. Ele afirmou que já pensou em alguns nomes para o cargo. "Quanto ao Supremo, achei prudente não indicá-lo sem conversar com o presidente que seria eleito." Segundo o presidente, Dilma poderá vetar as opções que forem sugeridas por ele.
"Eu quero propor exatamente para ela dizer se quer ou não", disse.
Caças
Lula também disse que vai tomar, em conjunto com Dilma, a decisão sobre os caças que o Brasil pretende comprar. Suécia, Estados Unidos e França disputam a venda das aeronaves ao país.
Segundo o presidente, Dilma vai descansar até domingo (7) e, no retorno, vai participar com ele e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, de uma reunião para definir a compra dos caças.
No início da entrevista, Lula agradeceu ao povo brasileiro pela eleição de Dilma. "Os meus agradecimentos ao povo brasileiro pelo seu comportamento mais uma vez altamente democrático", disse.
Depois de Lula, a presidente eleita falou com a imprensa e disse que terá as áreas de saúde e educação como prioridade. Dilma disse também que o salário minimo deve ter um aumento no ano que vem. "Salário mínimo deve estar acima de R$ 600 no fim de 2011".

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