9 de nov de 2010

Prazo mínimo de permanência do investimento em bolsa

Fábio Graner do Estadão Via blog do Favre

ENTREVISTA Antônio Prado, SECRETÁRIO EXECUTIVO ADJUNTO DA COMISSÃO ECONÔMICA PARA AMÉRICA LATINA E CARIBE
O desequilíbrio cambial no mundo exige resposta multilateral e, se o G-20 (grupo das 20 maiores economias) não chegar a um acordo, há risco real de uma guerra de ações isoladas dos países no mercado de câmbio. E a consequência será negativa para todo o mundo.
A avaliação é do brasileiro Antônio Prado, secretário executivo adjunto da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), entidade ligada à ONU. Em entrevista concedida do Chile por e-mail ao Estado, ele avalia que o Brasil tem usado os instrumentos corretos para evitar a supervalorização do real, e diz que uma quarentena para capital estrangeiro direcionado à Bolsa de Valores não deve ser descartada.
O esforço do governo para conter a valorização do real ante o dólar é uma luta perdida?
Quais os fatores por trás da valorização da moeda brasileira?
Há vários anos existe um processo de crescimento da liquidez internacional em dólares, que se acelerou ainda mais com a crise do subprime nos EUA. A redução das taxas do Fed para perto de zero e a forte recompra de títulos do Tesouro provocam um tsunami de dólares. Não acredito que algum país possa enfrentar isso sozinho.
O sr. acha possível um acordo mundial para corrigir as assimetrias cambiais? Quem deveria dar o primeiro passo, China ou EUA?
Esse é um acordo difícil, mas não impossível. O problema é que tanto os EUA como a China são refratários a processos de coordenação internacional. O pior que pode acontecer é um novo fenômeno de “beggar thy neighbor” (incomodar o vizinho), que aconteceu nos anos 30. Cada país buscava soluções isoladas, tentando transferir o problema ao vizinho. A crise internacional piorou e todos acabaram prejudicados. É o que o ministro Guido Mantega chamou de risco de guerra cambial. Os desequilíbrios globais necessitam de respostas multilaterais. A dinâmica atual pode aprofundar a crise, principalmente se os países superavitários não aumentarem o consumo interno e se os EUA e a União Europeia não voltarem a crescer de forma sustentada.
No caso do Brasil, que instrumentos o governo deveria usar?
O Brasil vem fazendo grande esforço para reduzir o efeito desse tsunami. A política de formação de reservas é agressiva, os aumentos do IOF sobre fluxos especulativos ajudam, mas outras medidas podem ser necessárias. Se não houver avanço no G-20, cada país deve continuar a orientar o fluxo de dólares para aplicações produtivas, desestimulando a especulação.

O BC brasileiro deveria reduzir os juros básicos?
As janelas de arbitragem devem ser estreitadas na medida do possível. O BC deve avaliar, sim, um processo de redução dos juros para contribuir na gestão do problema cambial.

Medidas de controle de capital, como quarentena para capital estrangeiro, são viáveis ou prejudicariam o Brasil a médio prazo?
Administrar esse fluxo é fundamental. É verdade, por um lado, que a entrada de dólares nas bolsas e para IPOs ajuda a baratear o custo de investimentos. Por outro lado, a excessiva valorização da moeda pode desestimular novos investimentos. Entrada de dólares para IPOs é interessante, mas para a bolsa deveria haver prazo mínimo de permanência, até que se consiga um acordo internacional.

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