2 de nov de 2010

A fragmentação do PSDB

Do blog do Favre

Começou na noite de domingo mesmo, poucos minutos depois de sacramentada a vitória da petista Dilma Rousseff, a troca de farpas entre tucanos paulistas e mineiros. Foi o primeiro sinal da disputa que se dará entre os dois grupos do PSDB rumo à eleição presidencial de 2014: o de Aécio Neves de um lado e o de Alckmin de outro. O presidente do PSDB em Minas, deputado Nárcio Rodrigues, reagiu irado às provocações de Xico Graziano, ex-coordenador do programa de governo de Serra, que postou no Twitter domingo à noite: “Perdemos feio em Minas Gerais. Por que será?!” “Você faz tudo numa campanha, menos mágica” Para Nárcio Rodrigues, aliado fiel de Aécio Neves, os seus colegas paulistas já mostraram como vão agir: — Agora podemos ver como a lógica de alguns tucanos paulistas funciona: se o Serra vencesse, seria apesar de Aécio? Não nos supreendemos. É uma coisa normal esse tipo de conduta dos paulistas em relação aos mineiros. Mas o fato real é que Aécio se engajou na campanha nacional e teve o reconhecimento público de Serra — disse, disparando, em seguida: — Você faz tudo numa campanha, menos mágica. O eleitor mineiro não é boi de carga, que anda tocado.

Nárcio argumenta que os eleitores mineiros optaram pela continuidade de governos bem avaliados, tanto no cenário estadual — elegendo o tucano Antonio Anastasia no primeiro turno — quanto no nacional. Para ele, a postura de Graziano não contribui em nada: — É jogar contra o patrimônio conquistado pela oposição.
Serra cresceu 10 pontos em Minas neste segundo turno.
Espero que a postura de Xico Graziano seja pessoal.
Embora não tenhamos muita ilusão de que alguns paulistas percebam que há vida inteligente fora de São Paulo.
O senador eleito Aécio Neves preferiu o silêncio, ontem. Desde semana passada ele já confidenciava o temor de que a eventual derrota de Serra em Minas acabaria caindo em suas costas.
Mas Nárcio Rodrigues deu o recado de como Aécio e o PSDB mineiro vão se comportar depois da derrota na disputa presidencial: — Numa eleição, é possível ganhar também quando se perde.
Mas isso se tivermos capacidade de aprender. Temos que ter um projeto nacional, unido, e temos de acabar também com a ideia de que petistas e tucanos não podem conviver harmonicamente.
E Aécio certamente levará esse espírito para o Congresso Nacional. O que não se pode é sair de uma derrota apontando o dedo para o lado errado, pois isso só reforça que alguns não conseguem aprender nada com a derrota.
O secretário-geral do PSDB, deputado Rodrigo de Castro (MG), também criticou a postura de Graziano: — Trata-se de uma opinião isolada. O próprio Serra, 24 horas antes da eleição e desta triste declaração, reconheceu o trabalho de Aécio em Minas neste segundo turno. O PSDB tem de pensar em união. Esse tipo de postura não leva a lugar algum.
Para Sérgio Guerra, presidente do partido e coordenador da campanha tucana, ao colocar Aécio de escanteio na disputa este ano, o partido criou um clima de constrangimento que pode ter interferido negativamente: — Quando o Aécio desistiu da candidatura, eu estava lá e liguei imediatamente para o Serra e para o Fernando Henrique para dizer que eu tinha visto uma tristeza e um constrangimento muito forte do Aécio. Eu disse a eles: temos que trabalhar isso.
O comando do PSDB sai da campanha com uma certeza: o partido terá de trabalhar para evitar que essas divisões internas prejudiquem a candidatura do partido em 2014. A ideia é criar consenso em torno de um novo candidato logo em 2012, evitando especulação e desgaste político que interfiram no futuro processo de escolha. A cúpula tucana quer criar unidade em torno de um nome já dois anos antes da eleição.
Para Guerra, os rachas internos podem ter contribuído para a derrota de Serra na disputa com Dilma.
— Precisamos ter um desenho sobre nosso candidato já daqui a dois anos. Não podemos ficar refém dessa divisão interna — afirmou Guerra.
Ele disse que será convocada uma reunião da Executiva Nacional do PSDB para discutir os rumos do partido no final da semana que vem.
Também cacifado para disputar a eleição presidencial em 2014, por conta de sua vitória ao governo paulista, Geraldo Alckmin concorda que o partido tem de se antecipar aos eventuais problemas internos. Embora evite assumir discurso de précandidato presidencial, Alckmin avalia que o partido deve aproveitar o bom desempenho na eleição para definir o candidato o quanto antes.

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