3 de nov de 2010

A volta da ternura

Por BILLY CULLETON * | * JORNALISTA E PROFESSOR no Diário Catarinese

O velório do ex-presidente Néstor Kirchner se caracterizou pelas emocionantes demonstrações de afeto e ternura. Além dos 100 mil argentinos que entraram, ordeiramente, na Casa Rosada para render a última homenagem ao ex-presidente, as cenas dos encontros dos presidentes latino-americanos com a viúva, a presidente Cristina Fernández, eram comovedoras.

Os primeiros mandatários chegavam junto ao caixão e cumprimentavam a viúva com longos abraços. Os olhos marejados mostravam um sentimento de humanidade e solidariedade, poucas vezes exibido publicamente. Em seguida, diziam palavras de alento a Cristina e seus dois filhos, ao mesmo tempo em que faziam carícias na cabeça, intercalados por sutis beijos no rosto e nas mãos.

Carregando o sentimento de seus povos, estavam presentes as maiores autoridades da América do Sul, independente de ideologias. Representando a direita, Sebastián Piñera (Chile) e Juan Santos (Colômbia). Do centro, Alan Garcia (Peru). E da esquerda, Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador), Fernando Lugo (Paraguai) e José Mujica (Uruguai), além de Luiz Inácio Lula da Silva. Todos cancelaram, imediatamente, as suas agendas particulares para consolar e apoiar Cristina. Os gestos explícitos de carinho, característica dos latinos, devem nos encher de orgulho, já que ninguém poderia imaginar a rainha Elisabeth II, da Inglaterra, por exemplo, sendo abraçada e acariciada pelos presidentes da União Europeia.

No recém-inaugurado “Salão dos Patriotas Latino-Americanos”, na Casa Rosada, e embaixo dos quadros de José de San Martin, Simón Bolívar e José Artigas, entre outros, os primeiros mandatários davam uma demonstração inédita de unidade que traz a esperança de uma maior aproximação entre os povos ‘hermanos’.Os presidentes pareciam ter encarnado as conhecidas palavras de Ché Guevara: Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás.

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