5 de nov de 2010

A solução proposta pelo Afroreggae

Postei alguns vídeos do programa Conexões urbanas apresentado por José Júnior ativista do Afroreggae, que desenvolve trabalho social nas favelas do Rio.
A abordagem do programa sobre relação do morro com crime, do nítido abismo social que é o Rio de Janeiro, onde a circuncisão do morro aos bairros nobres evidencia e mostra àqueles que naquele vivem, a impossibilidade de usufruirem das benesses do capitalismo transmitido nos "gatos"de tv a cabo, é inédita na TV brasileira.
Em qualquer outra cidade de geografia diferente, o morador da favela convive com a semelhança e a política de afastamento realizado pelo Estado, a qual produz a separação territorial de pobres e ricos, cumpre sua função exclusicionista.
No Rio, isso não é possível.
Nos primeiros vídeos postados, em que Junior entrevista os "bandidos" mais novos a justificativa para adentrar ao mundo do crime é que eles podem comprar roupa de marca, relógio, dentre outros objetos de desejo, sendo que seus pais que trabalhavam nunca tiveram condições de acessar os bens de consumo propagandeados.
Inclusive são perguntados se o risco compensa todos afirmam que sim.
"Os bandidos de carreira", já velhos no tráfico(afirmam inclusive que são poucos que chegam lá) que tem filhos, vislumbram a criminalidade com mais ceticismo e afirmam que se existisse uma forma de se apagar o passado, mudariam de vida. Acham improvável pela maneira como já estão inseridos no tráfico e a guerra entre facções que certamente não referendaria esta anistia.
O Afroreggae propõe, não nos vídeos, mas em reportagens e em um programa que postarei depois, anistia irrestrita aos traficantes que optassem em largar o tráfico e aderissem em um programa de inserção social da ONG.
A idéia da anistia é boa, reduziria a criminalidade, a má impressão da atuação estatal, fosso social e desestimularia novos seguidores, contudo, o problema reside nas relações entre as várias facções do tráfico, grupos paramilitares e até a polícia com os anistiados.
O pacto social necessário é problemático mas, ao que parece, o Afroreggae tem trânsito e capacidade de alinhavá-lo.

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