1 de nov de 2010

O DEM respira por aparelhos

Comentário: Em Santa Catarina, Colombo se elegeu não pelos méritos do partido, mas pela atuação do ex governador Luis Henrique do PMDB, Sem o ex-governador apoiando, o partido não tem sustentação.
Kassab ao que parece, negocia saída ou fusão do partido com outra legenda.
Os Bornhausen se elegem em SC somente para deputado federal.
Do Portal IG
Apesar de ter diminuído de tamanho no Congresso, o DEM tentará sobreviver como partido graças às vitórias no Rio Grande do Norte, com Rosalba Ciarlini, e em Santa Catarina, com Raimundo Colombo. Antes da eleição, a sigla não administrava nenhum Estado. Em 2006, havia vencido apenas no Distrito Federal, mas o governador José Roberto Arruda teve de renunciar por conta de denúncias de corrupção.
As urnas já fizeram o DEM diminuir no Congresso: no Senado, era a segunda maior bancada e agora será apenas a quarta, com seis senadores. Na Câmara, o partido conseguiu se manter como a quarta maior bancada com 43 deputados. Na eleição de 2010, perdeu 13 deputados e agora é seguido de perto por siglas com o PP, com 41.
A parceria com os tucanos acabou sendo natural e mais segura nos últimos anos. Com a gradual perda de força do DEM, cogitou-se até a fusão com o PSDB. Isso, porém, é descartado pelo presidente nacional do partido, deputado reeleito Rodrigo (DEM-RJ). “Se houver fusão, os dois partidos perdem”, disse.

A possibilidade de extinção do DEM teve mais força no primeiro turno, especialmente quando a candidatura de José Serra estava enfraquecida. No segundo turno, a ideia de que havia uma chance de vitória da oposição fez com os partidos se reorganizassem. O foco no eleitorado antipetista deu gás para o DEM tentar mostrar-se como partido “de direita”.
Nesse sentido, o candidato a vice na chapa de Serra, deputado Indio da Costa (DEM-RJ), foi o integrante do DEM que mais conseguiu capitalizar para si essas bandeiras conservadoras. Para 2012, surge como opção do partido para disputar a Prefeitura do Rio de Janeiro. Isso vai depender da vontade Fernando Gabeira (PV), que está sem mandato e agora faz parte do campo oposicionista.
Kassab
Até então uma das principais lideranças do DEM, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, avaliou seriamente a possibilidade de migrar para o PMDB. Suas conversas se deram principalmente com o presidente do PMDB paulista, Orestes Quércia, com tem uma aliança desde 2008. Quércia indicou Alda Marco Antonio como vice na chapa de Kassab na campanha de reeleição.
Deputado sem expressão em Brasília e ex-secretário da administração Celso Pitta (1996-2000), Kassab virou prefeito pelas mãos de José Serra. Vice do tucano em 2004, assumiu o cargo em 2006 e se reelegeu em 2008.
Seu caminho natural seria o PSDB, mas a rivalidade com Geraldo Alckmin (PSDB), a quem derrotou em 2008, torna necessário outro plano. No PMDB, porém, a ordem é manter o diálogo também com Michel Temer (SP), vice de Dilma, principalmente depois que Quércia afastou-se da política para tratar um câncer.
Alckmin prefere não comentar o futuro do prefeito de São Paulo, mas calcula o efeito do encolhimento da bancada paulista do DEM na Câmara. “O PSDB vai ter dificuldades, mas, o DEM, não se sabe que rumo o partido irá tomar”, disse Alckmin ao iG, depois de participar de um comício em Araraquara na última sexta-feira.
Candidato derrotado ao Senado, o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) descarta o fim do DEM e saída de Kassab para o PMDB. “Não faz sentido. O partido seguirá seu rumo. Tivemos importantes vitórias (RN e SC)”, disse. “Não acredito que o Kassab vai sair do DEM para ser mais um no PMDB. Em São Paulo, o PMDB terá um dono: Michel Temer”, completou.
Kassab é também muito ligado ao ex-presidente nacional do DEM, Jorge Bornhausen, que saiu fortalecido da eleição com a vitória de Raimundo Colombo. Bornhausen foi o fiador de Kassab quando Serra decidiu ser candidato a prefeito em 2004. Este ano, ajudou a articular a bem-sucedida aliança de Colombo com o PSDB e PMDB em Santa Catarina. Líder do partido na Câmara, Paulinho Bornhausen, filho do ex-presidente do DEM, foi reeleito com facilidade.
Pai e filho resistem
Prefeito do Rio de Janeiro até dezembro de 2008, Cesar Maia foi o principal responsável por transformar o deputado federal e seu filho, deputado Rodrigo Maia (RJ), em presidente nacional do DEM entre o fim de 2006 e começo de 2007. Os dois são uníssonos: o DEM resistirá.
O ex-prefeito também é contra a fusão com o PSDB. Afirma, ainda, que a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que deseja “extirpar o DEM” é uma prova de que o partido é importante. “Quando o presidente se preocupa com a gente, é porque nos dá importância.
Ex-PFL (Partido da Frente Liberal), o DEM nasceu a partir da criação da Frente Liberal que ajudou Tancredo Neves (PMDB) a se eleger presidente no Colégio Eleitoral em 1985 e conseguiu ter atuação destacada até o início do governo Luiz Inácio Lula da Silva, quando foi jogado para a oposição.
De 2003 para cá, teve de se aproximar do PSDB na tarefa de enfrentar o poder do governo Lula e seus aliados. Sobretudo a partir da reeleição do presidente em 2006, a situação piorou. Até então um partido forte no Congresso, o DEM perdeu deputados e senadores para siglas governistas. O mesmo caminho tomaram vereadores e prefeitos de municípios pequenos.

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