13 de dez de 2010

Continua a devassa


Cláudio Lembo no Tera Magazine
De São Paulo
O WikiLeaks continua criando situações constrangedoras para a diplomacia norte-americana. As novas mensagens reveladas avançam sobre o interior do Vaticano.
O pequeno estado papalino é considerado pelos diplomatas americanos, que lá servem, como ambiente acanhado e provinciano, sem qualquer condição de dialogar com a contemporaneidade.
Os cardeais são acusados, em sua maioria, de incapazes de falarem inglês, o que os torna, segundo a visão dos autores das mensagens, incompetente para dialogar com outros povos que não se expressam em italiano ou qualquer outro idioma de origem latina.
Atacam, pois, os diplomatas americanos, segundo as divulgações recentes contra uma diplomacia considerada exemplar e com tradição milenar. Ou se está perante uma análise superficial ou se esta perante uma realidade jamais apontada pelos meios de comunicação.
A par das informações oferecidas, o episódio do Wikileaks leva a outros cenários de divagação. A importância da internet no mundo de hoje, ainda não mensurada pelos seus usuários.

A internet veio para ficar e romper tradições centenárias. O velho jornal impresso, trabalho artesanal de alto custo, é cada dia mais complexo em sua elaboração.
Captar as notícias, imprimi-las e distribuir a folha impressa é trabalho ciclópico, apesar de todas as técnicas modernas para sua confecção. Corre-se contra o tempo e o tempo afoga a notícia impressa.
A internet é instantânea. Aconteceu. O fato exposto imediatamente. Trata-se, portanto, de nova maneira de informar, onde não existem barreiras. Tudo é prontamente permitido.
Ora, este meio de comunicação - contemporâneo e eficiente - não pode sofrer nenhum ato de violação. O direito de informar é presente na internet em toda a sua magnitude.
As sociedades não serão mais estáticas. Todos terão acesso à informação. Daí a impossibilidade de qualquer censura a ser aplicada no novo veículo. Todos os princípios atinentes à liberdade de imprensa, ainda com maior magnitude aplicam-se a internet. Assemelha-se ridículo as autoridades americanas correm atrás de Julian Assange, diretor do Wikileaks.
Melhor agiriam se aceitassem o prejuízo. Foram surpreendidas. Um servidor violou os segredos de Estado. Por ora, não há o que fazer. No futuro, poderão ocorrer processos judiciais.
Agora, cumpre apenas preservar a liberdade de expressão tão cara aos Pais Fundadores dos Estados Unidos. Prender o diretor do Wikileks por supostos atos íntimos é no mínimo ridículo.
Tanto isto é verdade que, por toda a parte, surgem manifestações de apoio ao site e a seu titular. São hackers que invadem provedores. Manifestações de rua por várias cidades. Uma solidariedade espontânea e irreversível.
É incrível que dois jovens e um site possam causar tantos prejuízos à diplomacia do mais rico país do mundo. Agredi-los, agora, é no mínimo ingênuo. Deviam cuidar de guardar melhor os segredos de Estado.
Os diplomatas norte-americanos e os titulares do Executivo deviam compreender que episódios como o da difusão das mensagens secretas são próprias do mundo de hoje.
Não há mais segredos. Vive-se um clima de absoluta transparência onde a publicidade é inevitável. Todos, a cada momento, terão a possibilidade de conhecer as verdades do Estado.
Os assuntos de Estado deixaram de ser privilégio de alguns para se tornar patrimônio de todos. Ingênuos os governantes que pensam poder enganar a todos por todos o tempo. É impossível.
Hoje, a qualquer tempo surge a informação e quem vai julgá-la é a sociedade. A liberdade dos antigos somou-se a liberdade dos modernos. As pessoas comuns passaram a ter acesso a todos os atos governamentais ou das grandes corporações.
Não há segredo que se preserve por muito tempo.

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