11 de out de 2011

Custo de inflação de 4,5% é crescer 1,5%


Por Paulo Moreira Leite
Almoçando com um dos mais influentes economistas brasileiros, pude fazer a pergunta certa. Qual seria o custo para trazer a inflação para o centro da meta, que é de 4,5% ao ano.
A resposta: em vez de crescer a 3,5%, a economia estaria crescendo a 1% ou 1,5%.
Também fiz a segunda pergunta: qual o risco de manter a política atual de juros e apostar no crescimento. A resposta: o risco é muito baixo.
A unanimidade dos economistas concorda que a inflação deve entrar em queda a partir dos próximos meses, até março de 2012, pela combinação de uma série de fatores conhecidos e estudados.
A quase geladeira da economia internacional também vai trabalhar para isso. Outras medidas internas também. Mesmo assim, não se espera que o centro da meta seja atingido em 2011 nem em 2012.
Por que? A resposta simples é dizer: porque o governo não quer, ainda que a explicação seja mais complicada do que os adversários da equipe economica gostam de afirmar.
Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, a principal alavanca da inflação não se encontra no governo. É o setor de serviços. São os preços deste setor que seguem em alta, fora de controle, numa elevação produzida pela melhoria do emprego e da renda, que eleva o consumo e faz as pessoas a comprar tudo aquilo que possa melhorar seu bem-estar.

Até hoje não se conhece nenhum meio eficaz para reduzir a procura por serviços — a não ser por uma queda brutal na atividade economica.
E aí entra o governo.  Para diminuir a inflação, o governo teria de fazer uma reducação drástica em seus investimentos. Precisaria cortar encomendas, adiar obras publicas e assim por diante. Também teria de elevar os juros.
Este conjunto de medidas deixaria o Brasil numa condição semelhante a de diversos países europeus de meses atrás. Ao fazer do combate à inflação sua prioridade, o Banco Central Europeu deu um golpe nos juros que deixou o Velho Mundo na armadilha atual. Afundou a Grécia, levou para o abismo economias que até então exibiam ótima saúde, como Espanha, Itália, Irlanda.
Quem está interessado em fazer isso no Brasil? No momento, quem aposta no quanto pior melhor.
A aprovação do governo Dilma não é obra de qualquer minueto criado depois de sua posse no Planalto.
Seu principal alimento é a herança de Lula, traduzida pelo desemprego baixo, crédito alto, distribuição de renda e um padrão razoável de crescimento. (Em Brasília, calcula-se que este “razoável” fica na faixa de 4% ao ano.)
Mudar o crescimento é cortar o eixo que liga Dilma com Lula e com o eleitorado. Essa é a discussão.

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