3 de out de 2011

Americanos X Americanos


Por Paulo Nogueira no Diário do Centro do Mundo
Manifestante do OWS
Demorou.
Os americanos estão enfim protestando contra eles mesmos. Quer dizer: contra o governo e mais a plutocracia que manipula a Casa Branca. A inspiração vem dos protestos do mundo árabe.
O nome é sugestivo: Occupy Wall Street. Ocupar Wall Street. Ou apenas OWS.
O movimento surgiu num site canadense de esquerda chamado adbusters, e por razões óbvias conquistou muitos corações na sociedade americana. A crise econômica e mais uma extraordinária agressividade militarista do governo estão testando o limite da paciência dos americanos.
No final de semana, quando Obama comemorou a execução de mais um líder do Al-Qaeda, um clérigo nascido nos próprios Estados Unidos, Anwar al-Awlaki, milhares de integrantes do OWS foram reprimidos pela polícia de Nova York quando faziam seu protesto. Muitas prisões foram feitas.
É vital, para que o mundo se torne mesmo mais seguro, como levianamente falou Obama depois da morte de bin Laden, que a sociedade americana cobre energicamente uma mudança na atitude da Casa Branca, nos moldes do que aconteceu nos anos 1960. A Guerra do Vietnã começou a terminar ali.
Me chamou a atenção uma foto do OWS, tanto que a usei para ilustrar este texto. Uma mulher ergue um cartaz com uma frase de Goethe: “Ninguém é mais escravo do que aquele que ilusoriamente acredita ser livre”. O fato é que em nome da liberdade os Estados Unidos têm cometido horrores no mundo. Isso me remeteu a um dito de Einstein que estava ontem na Frase do Dia do DCM: “O mundo não vai destruído pelo mal, mas pelos que não fazem nada para combatê-lo”.
Obama foi uma falsa esperança de renovação. “Disseram a nós que Obama mudaria as coisas, mas na verdade o que estamos vendo é mais um mandato de Bush”, diz o ativista Phil Budenick, do OWS.
Enquanto isso, no Brasil …
Bem, uma amiga do Facebook postou uma matéria estrangeira que falava do OWS. E observou: “Paulo: vi todos os jornais brasileiros e não encontrei nada.”
Como dizia o diretor de redação Guzzo nas madrugadas de fechamento da Veja nos anos 1980, a quem apelar?

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