30 de set de 2010

Neoliberalismo em baixa

Do editorial do Diario Catarinense de 29 de setembro de 2010

Neoliberalismo em baixa

As notícias da última sexta-feira (24/09), além de alvissareiras, são extremamente reveladoras. Capitalizada com mais R$ 120 bilhões, a Petrobras torna-se a segunda maior empresa do mundo e arrasta a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) para o mesmo ranking mundial. Salva da fúria privativista de 10 anos atrás, a empresa estatal e os fatos demonstram que os brasileiros são capazes de gerir suas estatais com competência. E condenam o neoliberalismo tropical, literalmente, ao fogo do inferno.

A doutrina neoliberal vem sofrendo o implacável efeito das urnas. De uma representação de 108 deputados federais, os liberais viram-na reduzida a 84 em 2002; depois, a 60 em 2006. E, independente da vontade do presidente da República de extirpá-los da vida pública, não deverão eleger 40 deputados em 3 de outubro. Para quem já teve sete governadores, reduzidos a apenas um em 2006, os prognósticos para a eleição que se avizinha não são os melhores, uma condenação explícita da prática de privatizar os lucros e socializar os prejuízos.

Além do petróleo e dos poucos que escaparam ilesos da ira contra as estatais, o próprio sistema financeiro continua demonstrando a força dos bancos autenticamente nacionais, ameaçados por ocasião do desmonte do patrimônio público. Restou ao sistema privado a missão de caminhar com suas próprias pernas, enfrentando a recente crise internacional sem a farra do Proer, escandaloso programa de socorro aos bancos. A ganância e a inépcia de algumas empresas privatizadas, uma realidade vivenciada por todos, só confirma a tese. Socializar lucros, deixando ao setor privado os riscos inerentes ao próprio capitalismo, definitivamente, parece dar votos.

JOÃO CARLOS MOSIMANN * * ENGENHEIRO E HISTORIADOR

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