11 de jan de 2011

Veto a Bolívia opôs Dilma e Itamaraty, revela Wikileaks

O Ministério das Relações Exteriores vetou a inclusão da Bolívia e da Colômbia entre os beneficiários de um projeto de cooperação que o Brasil lançou com os Estados Unidos em 2007 para promover o consumo global de biocombustíveis como o etanol.
A inclusão da Bolívia foi sugerida aos americanos pela então ministra Dilma Rousseff, que chefiava a Casa Civil. O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a discutir a ideia com seu colega boliviano, Evo Morales.

Mas a diplomacia brasileira temia que a parceria com os EUA fosse mal recebida por outros países da vizinhança, de acordo com um telegrama da embaixada americana em Brasília obtido pela organização WikiLeaks.
O veto do Itamaraty foi transmitido a um emissário do Departamento de Estado dos EUA pelo embaixador Antônio Patriota, que na época chefiava a divisão política do ministério e hoje é o chanceler da presidente Dilma.

Segundo as mensagens obtidas pelo WikiLeaks, Dilma discutiu o assunto com os americanos em meados de 2006. Seu plano era ajudar a Bolívia a desenvolver uma indústria de biocombustíveis para incentivar os agricultores do país a abandonar o plantio de coca, a folha usada na produção de cocaína.
Dilma informou ao embaixador Clifford Sobel que Lula havia discutido o assunto em duas ocasiões com Morales, que "pareceu receptivo e pediu uma proposta detalhada", conforme um despacho.
"SENSIBILIDADES"
O veto do Itamaraty foi apresentado um mês depois. "A variedade de atividades de integração regional na América do Sul e as sensibilidades resultantes tornariam extremamente difícil para o Brasil se associar aos EUA na região", justificou Patriota.
As mensagens fazem parte do pacote com milhares de comunicados diplomáticos que o WikiLeaks começou a divulgar em novembro. A Folha e outras seis publicações têm acesso ao material antes da sua divulgação no site do grupo (www.wikileaks.ch).
A cooperação entre Brasil e EUA ficou restrita a sete países da América Central e a dois na África. Foram feitos alguns estudos econômicos, mas não houve interesse do setor privado em investir nos países selecionados.
Outro fator que limitou o alcance da iniciativa foi a manutenção das barreiras comerciais adotadas pelos EUA, que protegem a indústria americana ao encarecer as importações do etanol produzido em outros países.
Procurada pela Folha, a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto afirmou que a presidente não faria comentários sobre os telegramas obtidos pelo WikiLeaks.

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