30 de jan de 2012

Ideia: Manter pessoas fora da prisão


Eric Schmidt, presidente da Google
Eric Schmidt, presidente da Google
Dinheiro Vivo
Prazo: Cinco anos
Grau de dificuldade: Menor do que se imagina
Principal obstáculo: Ceticismo do público
Autor da Ideia Ousada: Eric Schmidt, presidente da Google]
É difícil encontrar números que revelem que as prisões americanas estão a funcionar. Hoje, 2,3 milhões de americanos - cerca de 1% dos adultos - estão atrás das grades: a taxa de encarceramento mais alta do mundo. As prisões custam aos contribuintes 68 mil milhões de dólares por ano, 336% mais do que há 25 anos. Os Estados Unidos aprisionam mais jovens do que qualquer outro país e a taxa de reincidência a três anos ronda 68%.
p>E quanto mais prendem, menos os estados reduzem o crime. A Califórnia, por exemplo, gasta mais em prisões do que em educação.
Em vez de sustentar um sistema que não vai a lado nenhum, devíamos estar a pensar numa forma audaz de evitar que as pessoas cometam crimes e reduzir a reincidência. Para tal precisamos das empresas. Não proponho que as prisões sejam geridas por privados - isso já foi feito, com resultados nada inspiradores; sem surpresas, dado que o incentivo para os operadores privados de prisões têm pouco que ver com reduzir o crime ou a reincidência. Mas uma nova abordagem pode mudar a equação: títulos de impacto social.

Funcionariam desta forma: o Governo faria chegar os títulos aos investidores - normalmente fundações - que apostariam na capacidade de empresas, grupos comunitários e outras partes qualificadas de fornecer serviços como educar os muitos presos que deixaram de estudar antes de completar o secundário. O dinheiro arrecadado financiaria programas sociais. E, após um dado período - digamos, cinco anos - se o programa tivesse impacto positivo significativo (redução da reincidência ou aumento da taxa de conclusão de estudos), os investidores receberiam o seu dinheiro de volta, com um prémio.
A ideia está em estudo no Reino Unido mas ainda não chegou aos Estados Unidos. Aplicada ao sistema prisional, podia ajudar a fornecer informações muito necessárias à política pública sobre as causas do crime e da reincidência, porque forçaria os programas a medir resultados.
A tecnologia teria um papel importante: o e-learning pode fornecer ferramentas baratas e acessíveis a instituições que não têm infraestruturas educativas fortes. Programas como a Khan Academy mostraram que a aprendizagem online pode alcançar rapidamente resultados impressionantes. A tecnologia também pode ajudar a tirar os infratores não violentos da cadeia mais depressa, para que possam iniciar a sua reintegração na sociedade.
Há pulseiras eletrónicas, para o tornozelo, à prova de violação que oferecem localização por GPS e monitorização constante a preços entre cinco e dez dólares . Com elas, poderíamos assegurar-nos de que as sentenças são cumpridas mas reduzir o custo de manter as pessoas presas em cadeias.
A existência de um grande número de pessoas encarceradas constitui uma falta de imaginação por parte da sociedade americana. Representa milhões de vidas desperdiçadas e de talento não utilizado.
Os Estados Unidos foram abençoados com uma forte iniciativa e uma variedade imensa de organizações da sociedade civil. Não devíamos aproveitá-las para criar a mudança drástica de que precisamos?
Eric Schmidt, presidente da Google
Exclusivo Dinheiro Vivo/HBR

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